Carteira exclusiva dá vantagem tributária

Carteira exclusiva dá vantagem tributária

0

Atualmente, mais de 15% do patrimônio líquido das carteiras de fundos pertencem a clientes de private banking, como são classificadas as pessoas com capacidade mínima de aplicação de R$ 1 milhão. Há dois anos, essa fatia era de 12%. É o segmento de investidores com o maior volume de recursos em fundos entre os 14 seguidos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) – no total, são R$ 366 bilhões investidos.

Para atrair esses clientes, bancos e gestores apostam em produtos diferenciados, seja pela rentabilidade que oferecem, pelas taxas que cobram ou pelas estratégias de investimentos que proporcionam. “Os fundos são os principais veículos de investimentos dos mais abastados”, diz Charles Nogueira Ferraz, superintendente do private banking do Itaú.

Entre os fundos, os mais personalizados são os mais preferidos por esse público. As carteiras exclusivas, que possuem apenas um cotista ou um pequeno grupo deles, são as mais procuradas pelos clientes de private banking. Dos recursos aplicados por essas pessoas em fundos, 46% estão alocados nesse tipo de portfolio. Em empresas como a Apogeo Investimentos, que pertence à gestora Vinci Partners, pertencente a ex-sócios do Banco Pactual, é possível montar um fundo exclusivo para aplicações acima de R$ 5 milhões.

Muitas vezes, a carteira é criada exatamente para a realização de investimentos em outros fundos. Uma das maiores vantagens é tributária. “Os mercados estão cada vez mais voláteis, o que exige mudanças táticas e frequentes de investimentos. Fica mais barato fazer aplicações em fundos por meio de um fundo exclusivo”, diz Paulo Bittencourt, diretor da Apogeo.

Ele explica que um investidor que aplique diretamente em fundos de investimento paga Imposto de Renda cada vez que resgata os recursos. Em momentos de instabilidade, a troca de um fundo por outro costuma ser mais constante, e na maioria dos casos isso significa uma alíquota mais alta de IR. Nas carteiras multimercado, por exemplo, saques feitos em menos de seis meses estão sujeitos a imposto de 22,5%, alíquota que só diminui para 15% após dois anos de investimento. Mas se a aplicação é feita por meio de um outro fundo, e não diretamente pela pessoa física, não há incidência do tributo na troca de carteiras. “O investidor só paga imposto no futuro, quando sacar os recursos do seu fundo exclusivo”, diz.

O fundo exclusivo também proporciona ao investidor mais conveniência. “O cliente consegue enxergar toda a sua movimentação em um extrato só. Além disso, disponibilizamos na nossa prateleira uma série de fundos de outras instituições nos quais o cliente também pode investir com seu veículo exclusivo”, explica Ferraz, do Itaú. No banco, carteiras desse tipo ficam disponíveis, em geral, para clientes que tenham pelo menos R$ 10 milhões para começar. O produto é recomendado para quem tem volumes dessa monta também por um segundo benefício tributário: ao concentrar as aplicações em um veículo só, é possível compensar o IR em uma aplicação vencedora com eventuais perdas obtidas em outra. Um terceiro ganho fiscal pode ser obtido caso o investidor opte por constituir seu fundo exclusivo na forma de um fundo fechado, que, ao contrário dos fundos abertos, não aceita a movimentação de cotistas depois do período de captação.

Por Mariana Segala | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico

SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR

Escreva seu Comentário